Entrevista com Vitor – Tatame.com.br


Ex-campeão do UFC em duas categorias, Vitor Belfort teve a chance de fazer história como o único a chegar ao topo em três pesos no evento, mas esbarrou na trocação de Anderson Silva, que segue como o maior recordista da história do UFC. Em entrevista exclusiva à TATAME, o “Fenômeno” avaliou sua performance e rasgou elogios ao algoz. “Esse chute é um tipo de chute que é muito difícil de pegar, mas ele acertou. Só tem sorte quem treina… Se ele lutar dez vezes comigo, você vai conseguir em uma (risos). Ele tem todo o mérito. Eu estava indo bem na luta… Era a noite dele, não tem jeito”, afirmou Belfort, que falou sobre a provocação do adversário antes da luta e seus planos para o futuro, que incluem uma luta antes do UFC Rio.

O Anderson já tinha usado aquele chute no treino aberto, na quinta-feira, e na luta contra o Dan Henderson, em 2008… Você tinha feito alguma preparação para aquele chute ou ele te pegou de surpresa mesmo?

Olha, esse chute é um tipo de chute que é muito difícil de pegar, mas ele acertou. Ele pode entrar, mas o jeito que ele entrou é muito difícil. Só tem sorte quem treina. Ele treinou e teve sorte. Se ele lutar dez vezes comigo, você vai conseguir em uma (risos). Ele tem todo o mérito. Eu estava indo bem na luta, estava ganhando, mas não dei sorte daquele meu soco não ter entrado, de ter passado no vazio, aquele soco no chão foi explosivo. Se pega… Mas não pegou e o dele pegou em cheio. Era a noite dele, não tem jeito. Tudo que eu prometi, eu fiz. Não consegui a vitória, mas faz parte. Vou ter a minha chance ainda. Vamos batalhar agora para que eu consiga na próxima vez.

A estratégia era não explodir no começo e sentir como ele vinha para a luta e depois partir para cima?

A estratégia era aquela mesma porque eu tenho confiança na minha trocação. Eu sabia que aquilo era o que ele tinha de mais perigoso, as pernas, e ele usou os chutes… A luta não chegou a se desenvolver muito, né? Quando eu vi (a reprise), quando a luta se desenvolveu, eu estava levando vantagem e quando eu parei, no segundo em que eu parei, isso me custou a luta. Foi a noite dele.

Antes da luta, teve muita polêmica, aquela encarada, tanto na coletiva quanto na pesagem, mas ao final da luta ele foi lá te cumprimentar. Como foi esse encontro depois da luta? Você acha que as provocações foram mais para promover a luta ou que realmente tinha uma coisa não resolvida que, depois da luta, foi resolvida?

Não, não tinha nada resolvido. Cada um age perante a pressão de um jeito. Eu sou a mesma pessoa sempre, independente da pressão que eu estiver vivendo, do momento que eu estou vivendo. Algumas pessoas não, algumas pessoas tentam utilizar a pressão de quando você está nervoso, as pessoas ficam tão nervosas que elas ficam querendo utilizar aquilo. Eu não. Muitas pessoas perguntam por que o Anderson fez aquilo, e eu venho justamente te dizer que ele incorpora um personagem quando ele está sob pressão, mas o Anderson, na verdade, é um cara bom.

Muitas pessoas não se identificam com isso, ficam chateados, não gostam muito do jeito que ele fala… Mas eu também acho que isso é muito de quem influencia dele, quem está do lado falando para ele falar as coisas, os valores que ele tem, essas coisas. Às vezes ele fala uma coisa e as pessoas encaram isso como uma coisa pejorativa, mas eu não. Eu conheço o Anderson, sei que ele é um cara bom, gosto dele, e está de parabéns pela atitude no final da luta. Se ele é um campeão, ele tem que agir assim, mostrar humildade, e, no final da luta, ele mostrou.

Ele é um campeão, aquela luta ele venceu, mas como eu costumo dizer, a competição continua. Uma vitória não é um momento sozinho. Eu tenho certeza que, em breve, eu vou buscar a minha oportunidade de novo. Mas não podemos, de maneira alguma, tirar o mérito do Anderson. Ele é o campeão, e no final agiu como campeão. O Joinha me ligou para ver como eu estava, o Ed (Soares) também… As pessoas têm o respeito, entenderam a mensagem de respeito que eu falei. Isso é bom para o esporte, o Brasil cresceu muito com isso. Marcamos a história no Brasil com essa luta. Eu e o Anderson crescemos como pessoa, isso é uma alegria. No fundo, essa luta marcou história no país e agora o esporte é visto de maneira diferente. Parabéns para ele, parabéns para todos os brasileiros que pararam o país e assistiram essa luta. Perdi a batalha, mas não perdi a guerra.

Essa luta teve uma dimensão que nenhuma outra tinha tido, com todos os veículos da mídia em Las Vegas para assistir. Como foi fazer parte de um momento que pode marcar a virada no MMA no Brasil?

É justamente isso. Tem lutas que marcam história, e eu e o Anderson marcamos a história. As pessoas vão poder falar dessa luta e das que virão. É óbvio que muitas vezes o público se identifica comigo porque a verdade que eu prego é a verdade que eu vivo. Eu sempre fui fã do esporte, sempre fui uma pessoa que fala e as pessoas escutam porque eu falo com propriedade, eu falo aquilo que eu vivo, falo aquilo que é verdade. O Anderson venceu a luta, venceu a batalha… Mas existe outra batalha que eu, Anderson e todos os brasileiros estamos lutamos para que a gente possa ter esse espaço. Essa batalha não é só minha, ela é de todos os lutadores, todos os brasileiros, e acho que a gente está vencendo, e eu fico muito agradecido. Eu não tenho palavras para agradecer às pessoas que pararam restaurantes, pararam os bares, pararam o Rio de Janeiro, pararam todas as cidades para assistir essa luta. Essa admiração não tem como eu retribuir aos fãs, só tenho a agradecer e viver esse agradecimento diário.

Em agosto teremos o UFC no Rio e você é uma das presenças mais cotadas para participar desse card. Passa pela sua cabeça, levando em consideração que o evento é daqui a seis meses, esperar para lutar aqui?

Não, eu quero lutar antes. Eu vou lutar no Brasil, com certeza, mas espero lutar antes. Vou conversar com o Lorenzo (Fertitta) e o Dana (White) essa semana, tenho duas semanas de férias e vamos que vamos. Bola para frente porque a guerra continua.

Mande um recado para os fãs que ficaram torcendo para você nessa luta e que, com certeza, já estão ansiosos para te ver de volta nesse octagon…

O recado que eu tenho para mandar para eles é um só: agradecer do fundo do meu coração pelo apoio, pelo carinho. Choramos juntos, sorrimos juntos… E dizer que perdemos uma batalha, mas não perdemos a guerra. Respeito é a palavra que eu quero que todos os meus fãs possam entender, não só no esporte, mas na vida. Sei que muitas vezes o resultado não é aquele que a gente queria. Eles sabem quem eu sou e o que eu sempre serei. Naquela luta, eu estava pronto para lutar, inclusive todos sabiam que eu estava bem preparado.

O Vitor é um Vitor maduro, um Vitor que reconhece. Eu reconheço que o amor e o carinho de todos os meus fãs é o meu combustível, o que me faz ir adiante, o que me faz viver com intensidade. Eu tenho que perder 20 pounds (13 quilos) em um dia para poder marcar a minha luta, marcar a história, mesmo tendo lutado com uma pessoa que eu gosto, que eu já treinei, mas sabia que a luta ia marcar história. Tenho certeza que marquei história no coração de muitos brasileiros e muitos estrangeiros. Os valores de respeito incorruptíveis eu pude levar para todos os corações – uns recebem e outros não, mas, no fundo, o respeito é a maior importância. Um beijo no coração e que Deus abençoe a todos.

Confira o Arquivo UFC
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